#Dicas de Escrita II - Terror

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#Dicas de Escrita II - Terror

Mensagem por Kurotsugu-san em 16.05.15 20:34

Terror é um gênero difícil e subvalorizado por muitos motivos. Primeiro, é difícil inventar novas maneiras de assustar os jogadores, especialmente os adoradores de horror. As probabilidades são de que eles já viram tudo aquilo e sabem o que está por vir. O desafio consiste em romper com as convenções e regras, e mostrar coisas que sejam inesperadas.

Dica 1: Tudo se resume à respiração.
Spoiler:
Mesmo quando lemos silenciosamente, nós tendemos a respirar acompanhando o que estamos lendo, como se estivéssemos lendo em voz alta. É impossível para nós desligarmos certas partes do nosso cérebro, e quando algo nos leva a começar a respirar de forma diferente, isso nos força a entrar em diferentes estados. Quando está num pânico cego, você tende a hiperventilar, respirando em arfadas rápidas e superficiais. Quando está nervoso ou ansioso com alguma coisa (a sensação de suspense), você tende a prender a respiração, e respirar mais devagar.

A boa notícia para os autores de terror e suspense é que esses processos também funcionam no sentido inverso. Se você puder forçar esse estado de respiração (ou, mais precisamente, uma versão menor, menos fisicamente traumática desse estado) em seus jogadores, você vai provocar a resposta psicológica necessária.

Dica 2: Evocando suspense e ansiedade - Parágrafos Longos.
Spoiler:
Quando você está construindo suspense, evocando uma sensação de morte iminente ou o medo terrível do desconhecido, faça o seu jogador prender a respiração. Impeça-o de fazer sua próxima respiração por mais tempo do que o normal. E embora possa parecer impossível realizar isso com palavras em uma tela, lembre-se do que eu disse sobre como nós inconscientemente respiramos como se estivéssemos lendo em voz alta, mesmo quando não estamos.

Uma das razões pelas quais as frases são finitas é que o ponto no final nos permite uma respiração. Os parágrafos nos dão uma chance de respirar mais fundo. Então, se você quiser que o seu jogador desacelere a respiração e comece a se sentir nervoso, ansioso ou com medo, mantenha suas frases longas, e seus parágrafos mais longos ainda.

Dica 3: Evocando suspense e ansiedade - Parágrafos Curtos.
Spoiler:
Os jogadores estão acostumados a fazer uma respiração completa depois de cada parágrafo, então as respirações virão rápidas e furiosas através de parágrafos de uma ou duas frases.

Essa ideia de controlar a respiração dos seus jogadores não é tudo em escrita de terror, mas com alguma prática isso vai funcionar para você.
E estar ciente de quando usar melhor essa estratégia também irá evitar o uso excessivo dela; e faça a maior parte de sua prosa de forma legível, acessível e confortável — até que você queira que as coisas comecem a ficar assustadoras novamente.

Dica 4: Suspense.
Spoiler:
O truque é criar expectativas ou, em outras palavras, suspense, e depois dar ao público algo que eles não estão esperando.
Lembre-se das coisas que lhe assustavam quando criança – ir para o porão escuro, ou o que tem debaixo da sua cama. Mantenha-se fiel aos seus instintos primitivos, seja imaginativo, e você não vai errar.

Dica 5: Escreva de forma realista.
Spoiler:
O que torna uma história tão assustadora é quão real ela parece. Embora a maioria do horror é ficção, ele deve parecer como se poderia acontecer. Para escritores iniciantes, escreva sobre sua própria cidade e situações de Cida. Então adicione medo, como um assassino ou um fantasma, Comece com um local real, pessoas ou situações que tornarão sua história de horror soar real instantaneamente.

Dica 6: Escreva sobre o que te assusta.
Spoiler:
Você não pode produzir um bom horror ou conto se não deseja confrontar seus próprios medos. Você deve desejar cavar fundo na sua própria alma. Você também pode se forçar a imaginar a si mesmo em situações assustadoras. Se você se permitir ser o principal personagem, então você fará com que o personagem pareça mais real, pois estará colocando seus medos, ansiedade e emoções nele.

Dica 7: Use o elemento surpresa moderadamente.
Spoiler:
Uma inclusão repentina que algo novo pode instantaneamente introduzir tensão na história. Surpreender o jogador muito frequentemente, entretanto, pode ser visto como uma estratégia forçada e levar a dessensibilização.

Dica 8: Não dê todas as informações de bandeja para o seu jogador.
Spoiler:
Um drama precisa ser seguido de uma boa pitada de suspense; não só o drama, qualquer gênero precisa disso para se sustentar. Ninguém irá querer ler algo em que ele já sabe o que irá acontecer. Atice a curiosidade das pessoas! Faça-as terem um motivo para gostarem do que leem.

Dica 9: Brinque com os gostos de seu público.
Spoiler:
Quando um escritor entende as preferências de seus jogadores, ele pode adaptar a história com essas características específicas. Um público de terror geralmente espera sangue, violência, escuridão e elementos sobrenaturais na sua leitura. Não hesite em incorporar imagens e cenas que reflitam essas ideias na sua narrativa de terror.

Dica 10: Clichês para evitar.
Spoiler:
1. A mulher sozinha na casa velha e escura - Ela normalmente não é muito inteligente. Ela grita coisas do tipo “Quem está aí?” Ou então, entra no quarto escuro para ver o que tem dentro. Exemplos típicos são Tippi Hedren no filme Os Pássaros, de Alfred Hitchcock e Jamie Lee Curtis em Halloween.

Esta cena já foi tão utilizada que não causa mais reação na platéia. Portanto, se você precisar utilizá-la, será necessário buscar uma forma nova de construir a tensão que deseja para a cena. Já utilizaram uma mulher cega e já fizeram um homem ser esfaqueado por uma mulher.

2. A criança cuja mãe não é mais a mamãe - A criança diz que “esta não é a minha mãe” enquanto um doutor com cara de pouco interesse diz que “isto é coisa de sua cabeça, garoto”.

Este foi o elemento principal na década de 50 em filmes como Vampiros de Almas e Os Invasores de Marte e que ganhou uma nova roupagem na década de 90 com o seriado Dark Skies. Deve-se pensar duas vezes antes de utilizar-se deste artifício novamente.

3. A experiência que deu errado - Eles dizem que “moral é para os simples mortais”, que “os fins justificam os meios” e então as suas criações pulam e os mordem.

Pense nas várias vezes em que este clichê já foi utilizado: Frankstein, O médico e o monstro... a lista continua e é extensa. Quem estiver pensando em utilizar este elemento deveria tentar conhecer algum cientista de verdade. No geral, eles são mais estranhos que seus pares fictícios e fornecem material muito mais interessante e contextualizado para novas histórias.

4. A multidão enfurecida - Algumas vezes existe um motivo, como a velha mulher cuja neta foi assassinada. Outras vezes, eles estão apenas enfurecidos gritando baboseiras e carregando tochas. Será que uma multidão quieta funcionaria no lugar de aldeões raivosos? Talvez o silêncio fosse um componente muito mais apavorante que a fúria de varias vozes.

5. O sacerdote que perdeu sua fé - Existem duas formas em que este clichê é colocado: a criatura diz “seu deus patético não significa nada para mim” e então mata o sacerdote de uma forma nojenta e sangrenta. Ou então a criatura diz “seu deus patético não significa nada para mim” e o sacerdote, em um ato de força, coragem e superação manda a criatura para bem longe. Um bom exemplo do primeiro caso é a novela Salem’s Lot, de Stephen King. O Exorcista de William Peter Blatty ilustra o segundo caso.

6. Correndo em uma floresta escura - Pessoas correm no escuro gritando coisas como “Mulder, onde está você?” e agitando lanternas, seguidas o tempo todo pela presença maléfica que habita as árvores. Isso é conhecido como O Efeito A Bruxa de Blair. A idéia foi levada ao extremo em As Crônicas de Riddick - Eclipse Mortal onde sequer havia esperança pela luz do dia. Uma alternativa seria usar este cenário durante o dia, mas Predador já se encarregou disso.

7. Brincando com as forças do mal - Alguém vira e diz “vamos brincar com o tabuleiro de Ouija da vovó”. A próxima coisa que você se lembra é do tabuleiro voando sozinho pelo quarto. A idéia tem sido usada exaustivamente nos últimos anos e normalmente envolve meninas seminuas e histéricas. A melhor forma de usar este cenário sem tornar-se repetitivo é encontrando uma nova forma de invocar o mal.

8. O amor de uma boa mulher - O monstro tem uma morte inglória e alguém diz “foi ela que matou a besta”. Nossos ancestrais das cavernas provavelmente já diziam isso ao redor de fogueiras. No cinema esta cena data de 1933 em King Kong. Mais recentemente houve uma variação na série A Bela e a Fera e até mesmo no filme da Disney de mesmo nome.

9. Vamos nos dividir - Todos sabem que o monstro está lá fora em algum lugar, mas alguém sempre diz: “vamos explorar aquele lugar escuro, sombrio e mal assombrado. Por que você não vai pelo outro lado e nos encontramos lá no fundo?” Por que todos acham que esta é uma boa idéia? Este clichê é tão batido que até mesmo o Scooby-Doo utiliza.

10. Estou livre - O monstro foi eliminado, o herói dá as costas e vira-se para os outros sobreviventes para colher os louros de sua glória e então, em um último suspiro, o monstro se levanta e faz o herói em pedaços (para então ser morto em definitivo pelo verdadeiro herói). Qualquer filme de terror atual que tenha um monstro vai utilizar este clichê. Aliás, é bem provável que qualquer filme de terror use este clichê, até aqueles que não têm monstros.

Dicas Pessoais
1. Use imagens escuras. A maioria dos jogadores preferem jogar à noite, com as luzes apagadas, então colocar aquela imagem brilhante que parece ter saído da bunda de um unicórnio, nem pensar. Crie um ambiente dark, que permita a imersão do jogador.
2. Use e abuse de efeitos sonoros assustadores. Madeira rangendo, passos, portas batendo, algo quebrando, quando o jogador menos esperar, faça ele pular da cadeira com o som e siga com a narrativa.

Fontes:
Spoiler:
www.algosobre.com.br
www.airmandade.net
dicasderoteiro.com
www.dicasdeescrita.com.br

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Tatsuhiko Takimoto escreveu:Quando leio minha história nos dias em que estou de bom humor, penso. “Incrível! Sou um gênio!”
E nos dias que estou deprimido, é sempre, “Sou uma desgraça por ter escrito algo assim! Morra agora mesmo!”
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Kurotsugu-san
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