#Dicas de Escrita I - Essencial

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#Dicas de Escrita I - Essencial

Mensagem por Kurotsugu-san em 14.05.15 20:57

Bom, programação não é tudo numa visual novel, pra falar a verdade, é a parte mais fácil. O desafio mesmo, é conseguir criar uma história que faça bom uso dos outros elementos e prenda o jogador por uma certa quantidade de tempo. Quem nunca chegou num ponto da história, onde foi reler, e achou uma porcaria? Eu já, várias vezes. Com isso em mente, resolvi fazer uma série de postagens com as melhores dicas que encontrei pela internet e que com certeza vão te ajudar a melhorar sua visual novel.

A Ideia
Todos sabem como é difícil ter uma ideia que seja realmente interessante. Às vezes pensamos em algo que parece incrível nas nossa cabeças, e quando vamos escrever, não passa de uma linha. No entanto, toda história precisa de um gatilho, você só precisa encontrar o seu.

Dica 1: Comece por um conflito.
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O ponto de partida para se criar uma história de ficção é uma possibilidade de mudança positiva ou negativa que se impõem na vida de um personagem. O motivo é simples: mudanças provocam conflitos, e conflitos pedem resoluções.
Quando um personagem se confronta com um dilema, problema ou desafio, o jogador imagina o que faria naquela situação. Os conflitos da história criam oportunidades para ele pensar sobre seu próprio comportamento e experimentar, através do personagem, possíveis soluções para conflitos similares que ele enfrenta em sua vida.
Para encontrar uma ideia de história, pense em situações de conflito que exijam uma atitude imediata do protagonista. Construa o enredo ao redor das tentativas frustradas e bem sucedidas do personagem principal de lidar com as consequências das suas escolhas. Coloque-o em situações que o obrigue a mudar a forma como ele pensa, se relaciona, e se comporta.

Dica 2: Comece a partir de um enredo.
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É comum pensar em uma sequência de eventos que você quer incluir em sua história antes mesmo de saber que personagens farão parte dela. O maior navio do mundo acaba de ser construído e está prestes a partir em sua primeira viagem. Todos os passageiros estão entusiasmados em fazer parte desse evento histórico. Após quatro dias, o navio bate em um iceberg no oceano atlântico e afunda (soa familiar?). Com esse acontecimento em mente, comece a desenvolver os outros elementos da história.

Dica 3: Comece a partir de um cenário
Spoiler:
Eis um cenário: uma cidade completamente desconhecida foi descoberta em uma ilha no sul do pacífico. Imagine que você acabou de desembarcar nesse local. O que você vê? Quais as diferenças em relação às outras cidades? Quem são os habitantes desse lugar? Como se vestem? Como se portam? Que língua falam? Como é possível que essa cidade nunca foi descoberta? Quem a descobriu e como? Pense em possíveis respostas para essas perguntas como uma forma de explorar seu universo de ficção.

Dica 4: Comece a partir de um diálogo
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Talvez você tenha testemunhado uma discussão entre duas pessoas e tenha ficado curioso para saber o que motivou a briga entre elas. Esse diálogo pode servir como ponto de partida para você desenvolver personagens para sua história. Comece procurando entender o que cada um deles estava tentando alcançar com suas falas e analisando o conteúdo emocional da discussão. Use essas informações para pensar nos outros ingredientes da história.

Dica 5: Comece a partir de um tema
Spoiler:
Se você já sabe que tema quer investigar na sua história, isso pode servir de ponto de partida para começar a escrever. Digamos que o tema que você quer investigar é “dinheiro compra felicidade?”. Escreva o que você pensa sobre o assunto. Converse com pessoas que concordam e discordam de você. Questione suas convicções. Depois, pense em situações que ilustrem pontos de vista diferentes sobre o tema e considere que personagens poderiam representar cada um desses pontos de vista.

Dica 6: Comece a partir de um personagem
Spoiler:
Um bom exercício é imaginar que você abriu uma porta e encontrou um personagem. Você não sabe nada sobre ele. Inicie descrevendo as características mais curiosas e peculiares que você reconhece nele. O que chama sua atenção nesse personagem à primeira vista? Como o lugar onde ele se encontra, as pessoas ao seu redor, as roupas que ele está usando, o jeito como ele se comporta dão pistas da sua personalidade?

Dica 7: Teste suas ideias de história.
Spoiler:
Quando você decide transformar uma ideia em história, algumas vezes você se decepciona com o resultado. Isso acontece porque dentro da cabeça, muitas das suas ideias só fazem sentido porque estão interconectadas com seus conhecimentos e experiências. Sem essas associações pessoais, elas não sobrevivem a viagem da sua mente para o papel.
É comum que escritores se apaixonem por uma ideia de história e descubram mais tarde, depois de meses ou até anos de trabalho, que elas não fazem sentido, ou não parecem interessantes para mais ninguém.
Se você está escrevendo para ser lido, antes de investir todo o seu tempo e energia em um projeto, compartilhe a ideia central da sua história com algumas pessoas. É uma oportunidade para você considerar como pode torná-la ainda mais envolvente.

Dica 8: Julgue suas ideias a partir do objetivo principal da história.
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Nossas ideias são representações da nossa personalidade e dos nossos valores. Isso explica porque nos ofendemos tanto quando alguém não gosta de algo que criamos. Se você não lida bem com críticas, provavelmente julga suas ideias como boas e ruins tomando como parâmetro de avaliação como elas representam você.
“Essa ideia é boa porque me faz parecer inteligente. Essa ideia é ruim porque dá a impressão de que sou preconceituoso.” Ao invés de avaliar suas ideias como boas ou ruins, procure julgá-las tendo em mente o objetivo principal da história.
Não decida com base no que os jogadores vão pensar sobre você, mas sim preocupando-se com a ideia central que você quer transmitir, e como ela precisa ser desenvolvida para provocar as emoções e reações que você deseja.

Dica 9: Crie o hábito de desenvolver suas ideias.
Spoiler:
Na viagem entre os pensamentos e a página em branco, é comum que uma ideia de história perca força e coerência. Quando isso acontece, nosso primeiro impulso é abandonar o texto, e se render aos encantos de uma nova ideia. Fazemos isso porque:
Nos convencemos de que a ideia não era tão boa quanto imaginávamos.
Acreditamos ter perdido controle sobre a direção que a história estava tomando.
Não sabemos o que é preciso mudar para tornar a narrativa mais envolvente.
A criação de novas ideias pode facilmente se tornar um vício e uma forma de procrastinação. Sem disciplina, isso pode virar um hábito improdutivo que resultará em dezenas de histórias começadas e nenhuma terminada. Procure criar o hábito de desenvolver suas ideias.

Dica 10: Decida a melhor abordagem para desenvolver suas ideias.
Spoiler:
Ao escrever um primeiro rascunho para explorar uma ideia de história, você pode escolher entre duas abordagens: espontânea ou racional.

Na abordagem espontânea, você permite sua imaginação tomar conta do processo. É uma forma de começar a explorar diferentes possibilidades criativas, usando uma inspiração qualquer como ponto de partida. Essa abordagem abre caminho para um melhor entendimento de quem é o personagem principal e qual é o foco da história.

Não importa se as frases não fazem sentido, se estão mal construídas, se têm erros grosseiros de gramática. O objetivo aqui é explorar emoções e sensações que você associa livremente a ideia que o inspirou a escrever, e deixar que sua intuição guie a primeira etapa de desenvolvimento da história.

Na abordagem racional, você permite seu intelecto tomar conta do processo. Funciona melhor quando você já tem definidos os personagens principais e o foco da história, antes de começar a escrever. Sua criatividade, neste caso, está focada tanto em desenvolver os detalhes da história, quanto em encontrar a melhor forma de expressar artisticamente o conteúdo de cada cena.

Ao invés de simplesmente escrever o que vier a mente como na abordagem espontânea, você toma decisões estéticas a medida em que vai desenvolvendo a narrativa. Sua intenção aqui é lapidar a história a medida em que você a desenvolve.

A abordagem racional permite que você concentre sua atenção em filtrar as ideias a medida que elas aparecem, tendo como base suas decisões prévias sobre os principais elementos da narrativa (personagens e enredo).

Dica 11: Entenda que boas ideias não garantem boas histórias.
Spoiler:
Não há nada mais frustrante do que encontrar uma boa ideia que, quando desenvolvida, não resulta em uma boa história.
Lembre-se que ideias são apenas possibilidades. A forma como você desenvolve suas ideias (conteúdo) e seu estilo de narrar (forma) é o que determina a qualidade do texto.
Se ao começar a escrever, você sentir uma pressão angustiante para tentar fazer uma ideia funcionar, considere as seguintes possibilidades:
Sua ideia não faz sentido fora da sua cabeça.
A ideia é boa, mas só funciona como um conceito abstrato.
Você ainda não tem domínio técnico suficiente para desenvolver essa ideia da forma como gostaria.

Os Personagens
Em qualquer boa história, não só nos romances, os personagens é que farão o jogador se identificar com a história, pois será através deles que percorreremos todas as linhas até o final da jornada. Assim, saber escolher os personagens e cativar o público é de extrema importância.

Dica 1: Classificação.
Spoiler:
A força dramática de um enredo está na busca de realização de um desejo de um personagem, e na oposição das forças de antagonismo que dificultam ou impedem que ele alcance aquilo que quer.
Portanto, ao caracterizar o protagonista da sua história, você deve considerar a rede de relações e oposições que ele forma com os outros personagens. A inclusão de qualquer outro personagem deve ter o objetivo claro de movimentar o enredo em favor ou contra o protagonista.
O desenvolvimento e caracterização desses outros personagens devem reforçar a importância do que o protagonista deseja alcançar, ou devem criar conflitos que o atrapalhem.
Considerando a sua importância na narrativa, podemos classificar os personagens como:

Protagonista
É o personagem mais bem desenvolvido na história. Ele é o centro nervoso da trama que sustenta o eixo narrativo. Todos os eventos, personagens e elementos da história giram ao seu redor.

Personagem central
É o personagem que desperta maior excitação e ansiedade nos jogadores. O personagem central não é necessariamente (mas pode ser) o protagonista da história. A grande diferença entre os dois é que o primeiro envolve o jogador principalmente através de ação, enquanto o segundo provoca a curiosidade da audiência através da sua personalidade.

Co-protagonista
É o personagem que tem relação próxima com o protagonista e, de alguma forma, o ajuda na busca de seu objetivo.

Antagonista
É o personagem (que pode também ser um objeto, animal, monstro, espírito, instituição, grupo social, limitação de ordem física, psicológica, social ou cultural) que traz ou representa uma ameaça, obstáculo, dificuldade ou impedimento ao que o protagonista deseja conquistar.

Oponente
É o personagem que tem relação próxima com o antagonista e o auxilia na sua missão de se colocar entre o protagonista e seu objetivo.

Falso protagonista
É um personagem que é apresentado de forma a induzir o jogador a acreditar que ele é o foco principal da trama para, na sequência, revelar quem é o verdadeiro protagonista como uma dose de surpresa.

Coadjuvante
Personagem secundário que auxilia no desenvolvimento da história.

Figurante
Personagem com papel ilustrativo, que não tem relação com o enredo ou nenhum dos personagens. São usados apenas para compor um cenário.

Dica 2: Seja original, mas nem tanto.
Spoiler:
Para criar um personagem original e complexo, você precisa entender as justificativas conscientes e inconscientes dele para vestir as roupas que veste, andar do jeito que anda, arrumar o cabelo do jeito que arruma, se relacionar com as pessoas com que se relaciona, desejar o que deseja, dizer o que diz, não dizer o que não diz, fazer o que faz, não fazer o que não faz.

Considere as seguintes perguntas sobre o protagonista da sua história:

A. Que opinião você quer que o jogador tenha desse personagem? Que características você quer associar a sua personalidade? Como ele vai se comportar para que o jogador o veja desta forma? Por quê você quer que o jogador o veja desta forma?

B. Qual a opinião dos outros personagens da história sobre o protagonista? Que características eles associam a sua personalidade? Que comportamentos do personagem fizeram eles pensar desta forma? Por que você quer que os outros personagens tenham essa opinião sobre o protagonista?

C. Quem é esse personagem de verdade? Que características ele não tem mas gostaria de ter, ou tem mais gostaria de não ter? Que comportamentos ele precisa manter e quais precisa eliminar para se tornar a pessoa que deseja? Por que ele quer ter certas características que não tem e não ter certas características que tem? Que emoção é referência para esse personagem se sentir feliz e triste? Seguro e inseguro? Realizado e frustrado? Tranquilo ou irritado?

Quanto mais detalhadamente você tentar responder a essas perguntas, mais profundo será o seu conhecimento sobre o seu personagem e, consequentemente, mais confiança você vai sentir para contar a história dele com mais propriedade.

Seu primeiro impulso vai ser responder a essas perguntas de forma bastante superficial, ao invés de trilhar o caminho mais trabalhoso que implica em mergulhar na mente do seu protagonista e conhecer os cantos obscuros da sua personalidade. O resultado disso serão personagens comuns e esquecíveis.

Para criar personagens originais, você precisa encontrar explicações peculiares e únicas no passado do personagem para a forma como ele sente, pensa e age. Como fazer isso? Apresentando, ao caracterizá-los na história, seus sentimentos, pensamentos e comportamentos que vão contra o que é comum e previsível.

Dica 3: Identifique-se com o Personagem.
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Ter um personagem com o qual nos identificamos é de suma importância para podermos cativar outros jogadores. Quando nos identificamos com o personagem, iremos extrair o máximo do escritor que somos para que o personagem tenha características marcantes e envolventes.
Se você gostar do personagem, ou seja, se você se identifica com o personagem, ao escrever sua história, as situações serão naturais e verdadeiras, pois você colocará mais sentimentos nele, tentando representar aquela pessoa que você gostaria que ele fosse.
Por exemplo, se você é um aventureiro, uma pessoa que sempre está disposta a conhecer novas pessoas, novos lugares e experimentar novos sentimentos, criar um personagem aventureiro não será problema algum pra você, pois muitas das situações você já viveu, você pode expressar sentimentos reais de uma forma mais viva, mais ativa e certeira.
Portanto, procure colocar um pouco das suas experiências no personagem. Por isso que um escritor é, acima de tudo, um grande observador.

Dica 4: Defina as características do Personagem.
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Antes de sair escrevendo por aí, pense como será o personagem de sua história. Será ele ou ela? Será alto, baixo, careca, cabeludo, novo, veho; magro, atlético, ocioso, curioso, brincalhão, sorridente, ingênuo,  animado, romântico, ranzinza… Como ele será?
Determinar as características físicas e psicológicas do personagem é uma das formas de posicioná-lo corretamente na história. Tente não inventar muita moda, certos arquétipos não devem ser alterados. Por exemplo, não invente de criar um personagem atlético e ao mesmo tempo intelectual. Essa combinação pode existir, porém, não é o que vemos todos os dias. Seja atrevido, mas mantenha as aparências.

Dica 5: Dê profundidade ao Personagem.
Spoiler:
Se você já se identificou com o personagem e já determinou as suas características físicas. Agora você precisa dar profundidade a ele.
Aprofundar o personagem é criar uma história anterior à história que você está escrevendo. É mostrar que o teu personagem possuía uma vida anterior, trazendo para a história atual uma bagagem de experiências, amarguras e desejos.
Quando o personagem já possui essa bagagem, dependendo da história que você irá escrever, os jogadores podem se identificar com maior facilidade, cativando-os à história e, ao mesmo tempo, ao personagem. Por exemplo, se teu personagem tiver uma idade avançada, é de se esperar que ele possua experiência suficiente para solucionar problemas na trama, ou até ajudar um personagem mais novo, assim, neste caso, teríamos um personagem coadjuvante ou co-protagonista. (veja os tipos de personagens).
Portanto, nunca deixe de pensar nesses pequenos acontecimentos que se deram antes da atual história, pois eles podem ser úteis durante toda a trama. Mas, evite contar toda a história passada, deixe que a nova trama traga essas experiências à tona.

Dica 6: Evite excessos.
Spoiler:
Lembre-se que você está escrevendo a história para um grupo de pessoas, e que esses jogadores nem sempre serão como você, não estarão, todavia, com a mesma faixa etária que você. Logo, se você quer que esse personagem seja cativante, evite criar muitos excessos.
A não ser que você esteja escrevendo uma história infantil, o teu personagem deve possuir boas e más características. Criar um personagem exemplar não irá cativar seus jogadores, pois verão que aquilo é uma pura farsa. Ninguém é perfeito, ninguém fica rindo todo o tempo, ninguém é engraçado todo o tempo, ninguém é legal a todo o tempo.
O seu personagem deve estar sempre no meio fio. Até mesmo o herói da história pode apresentar características más, porém as boas irão prevalecer. Quanto mais você puder fazer com que o jogador se identifique com o personagem, melhor.
Essa dica vale para tudo na história. Evitar os excessos ajudará a criar um personagem “real”, e são as pessoas reais que nos interessam e nos cativam.

Dica 7: Dê opinião a seus personagens. Os passivos e maleáveis podem parecer mais carismáticos pra você que está escrevendo, mas eles são como veneno para a audiência.

Ambientação
A escolha do local onde cada cena da sua história acontece influência na reação do jogador. Os cenários por onde os personagens se movimentam contribuem para dar o tom da narrativa. Eles ajudam a intensificar a sensação que você quer passar para o jogador em cada momento do enredo.

Uma cena romântica na chuva tem um clima diferente se ela acontecer em um dia de sol. Um assassinato em um shopping center provoca reações diferentes se ele acontecer em um beco escuro de um bairro perigoso. Uma briga entre mãe e filha que acontece dentro de casa terá implicações diferentes se acontecer durante um casamento.

Trate o cenário da sua história como um personagem. Pense em como ele pode facilitar ou dificultar a vida do protagonista. Considere como uma mudança de locação pode intensificar o drama na sua história. Imagine como a iluminação, a temperatura, a geografia, a arquitetura, os objetos e os “figurantes” presentes no local podem contribuir para adicionar mais complexidade e dar mais significado para cada cena.

Roteiro
Dica 1: Elimine a autocrítica no início do seu projeto.
Spoiler:
Nos primeiros estágios de desenvolvimento das suas histórias, você precisa de liberdade criativa para explorar todas as possibilidades de desenvolvimento de uma ideia. Enquanto você ainda está trabalhando no primeiro rascunho de um texto, não avalie qualidade do que está produzindo, nem se preocupe com detalhes sobre a estrutura da narrativa.

Ignore aquela voz insistente que julga suas ideias antes mesmo de você ter a oportunidade de desenvolvê-las. Pare de criticar suas habilidades de escritor enquanto você ainda está descobrindo e explorando o universo da sua história.

É perda de tempo tentar escrever um texto acabado de primeira. Escrever é reescrever. Edições e reajustes fazem parte do processo de criação, mas são etapas que vem mais tarde, quando você já tiver claro qual é a sua história e o que está tentando comunicar ao jogador.

Dica 2: Mostre, não conte.
Spoiler:
Há sempre duas maneiras de escrever sua história. Contando ou mostrando. Há momentos que o “contar” é essencial, mas via de regra, mostre ao jogador. O ideal é mesclar as duas situações dando ênfase no “mostrar”.
Ex. Contar: Eu estava cansado.
Ex. Mostrar: Ofegante, apoiei-me nos joelhos.

Dica 3: Adicione ruído de fundo.
Spoiler:
Considere quais sons são importantes nesta cena. Eles poderiam ser sons comuns que dão uma atmosfera ao cenário, mas também pense em algum som, ou dois, que você possa inserir na cena e que vá se destacar e aprofundar o sentido do seu personagem.
Sinos da igreja tocando poderiam fazer uma personagem lembrar do dia do seu casamento, no momento em que ela se dirige ao tribunal para registrar os papéis do divórcio. Pássaros cantando alegremente em uma árvore ao lado de um personagem de luto pode soar como zombaria, e aprofundar a dor.

Dica 4: Inclua texturas e detalhes.
Spoiler:
Considere acrescentar textura. Muitas vezes, os romancistas colocam seus personagens em ambientes chatos, sem dizer onde eles estão, que época do ano é, ou como o clima está. Nós existimos em um mundo físico, onde existem cenários e paisagens em grande detalhe.

Acrescente textura à sua cena infundindo-a com as condições climáticas e os detalhes sensuais da área circundante. A sensação do ar do final do outono, no meio da noite, em Vermont, enquanto dois personagens caminham por um parque, é a textura que o jogador vai "sentir", se você trazê-la à vida em sua cena.

Criadores que pensam como cineastas podem criar histórias incrivelmente visuais que vão permanecer por muito tempo após a última frase ser lida. Passe algum tempo usando o olho de um cineasta para levar as suas cenas para o próximo nível, dando-lhes aparência dinâmica e detalhes sensoriais, bem como deliberadamente colocando personagens, cores e sons em suas cenas para o efeito psicológico alvejado.

Se quisermos tocar os jogadores emocionalmente com nossas histórias, a melhor maneira é trazer o nosso romance à vida através do uso de técnicas cinematográficas.

Dica 5: Diga não aos parágrafos pomposos sem propósito.
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Todo parágrafo que você escrever deve ter alguma finalidade na história. Sei que escrever bem e bonito é essencial, mas gastar essa habilidade em parágrafos gigantes apenas para dizer que uma pessoa tossiu, ou divagar meia página sobre a cor do pelo do cachorro da vizinha sem que isso acrescente nada para o desenvolvimento do romance é “encher linguiça”.

Dica 6: Tenha algo a dizer.
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Não escreva apenas por escrever. Independente do assunto do seu jogo. Tenha um “moral”. Tenha  alguma mensagem ou um recado a passar, mesmo que óbvio ou simples.

Dica 7: Mantenha uma lógica.
Spoiler:
O jogador de ficção espera ser enganado. Espera viajar no jogo. A maioria das pessoas sabem que o protagonista não vai morrer, mas ainda sim continuam lendo. É o “como” que faz com que as pessoas continuem jogando seu jogo. Apesar de o jogador esperar ser enganado, a história deve manter uma lógica, seja com os personagens ou com seu desenvolvimento. jogadores são exigentes e inteligentes, e a principal causa de incômodo são as famosas incongruências no texto como um personagem frio que se emociona facilmente em determinada cena do jogo. Se ele é frio, essa característica deve ser mantida, a não ser que crie algo que o modifique. Não pode descrever o céu claro e na mesma cena colocar o céu estrelado de uma lua que mais parecia uma lâmpada. Dentro de um jogo, há inúmeras cenas e descrições e para você se perder é muito fácil.

Dica 8: CORRIJA!
Spoiler:
Leia, releia e leia mais uma vez. As correções são fundamentais. A maioria dos textos possuem erros básicos de concordância ou gramaticais. Isso é um ponto que irrita os jogadores. Não esqueça que seu trabalho é a palavra. Erros podem aparecer, até porque ninguém é perfeito, mas você acha que seu público continuará a jogar um jogo onde  logo nos primeiros minutos aparecem falhas graves de português. A técnica deve passar despercebida para o jogador manter o foco na história. Imagine você lendo uma redação onde encontra palavras como “gazolina” repetidas vezes… Lembre-se: São as correções que transformam a pedra bruta em preciosa. Mas coloque um limite às correções, senão você entrará num círculo vicioso de perfeccionismo e nunca concluirá o jogo.

Dica 9: Evite Repetições.
Spoiler:
Algo que vemos muito em alguns textos, é o uso demasiado de repetições, seja ela durante o texto ou nos próprios diálogos, e evitá-las demonstra uma maior conhecimento da língua português e, consequentemente, um texto mais elaborado.
Ao escrevermos um texto, talvez não percebamos, mas sempre deixamos escapar algumas repetições de ideias ou de palavras. Além de passar a ideia de um texto “pobre”, também faz com que o jogador fique cansado de tantas palavras ou ideias iguais; portanto, evite ao máximo esse tipo de comportamento. Leia, releia, leia novamente todo o texto e elimine as repetições.
Se o narrador está mostrando como seu personagem é inteligente e astuto, não tente demonstrar isso com um diálogo logo em seguida, deixe seu jogador maturar a ideia, construir o personagem e, quando ele menos esperar, você vai lá e coloca um diálogo que ilustra essa passagem. Ou seja, nada de dizer que fulano “irá ao shopping para reencontrar os amigos” e logo em seguida, colocar um diálogo onde o personagem diz: Preciso ir encontrar com meus amigos no shopping. Ao invés disso, mantenha o discurso indireto para a construção dessa passagem.
As repetições também estão relacionadas ao nome dos personagens. Portanto, nada de citar o nome dos personagens a cada fala.

Dica 10: Escreva para os 5 sentidos.
Spoiler:
Suas palavras são os olhos, os ouvidos, o nariz, a boca e a pele do jogador. Ao escrever cenas para suas histórias de ficção, coloque-o no mesmo contexto sensorial em que seus personagens se encontram.

Chegue mais perto, escute os sons, repare nos detalhes, sinta os cheiros, sabores e texturas presentes no cenário. Ofereça percepções que enriqueçam a narrativa, e contribuam na construção de cada atmosfera da cena.

Se o personagem foi para cama, coloque o jogador embaixo das cobertas e faça-os sentir a maciez do travesseiro e o aroma do incenso. Se ele está no topo de uma montanha, ajude-o a apreciar a vista da floresta, a escutar o som dos pássaros, e a saborear a maçã colhida durante a caminhada. Envolva os cincos sentidos do jogador para tornar sua história uma experiência vívida.

Dica 11: Use cenários para caracterizar personagens.
Spoiler:
Muitas vezes, o jogador precisa conhecer alguns eventos do passado de um personagem ou algum aspecto específico de sua personalidade para entender certas cenas da história. Ao invés de interromper o enredo com descrições e flashbacks, use o cenário para caracterizar seus personagens.

Mostre algum detalhe de onde ele mora ou trabalha que dê pistas sobre o seu passado e sua personalidade. Para caracterizar um personagem como alguém que detesta cozinhar, por exemplo, você pode criar uma cena mostrando que ele usa seu fogão para guardar sapatos.

É uma forma mais sutil e concisa de apresentar o passado do personagem, sem que você precise quebrar o ritmo da narrativa, incluir cenas redundantes, e desnecessariamente levar os jogadores para longe de onde a ação está acontecendo.

Dica 12: Comece suas histórias com impacto.
Spoiler:
As primeiras linhas, os primeiros parágrafos, as primeiras páginas e os primeiros capítulos são definitivos no processo de decisão de leitura de um texto, e devem deixar claras as respostas para duas perguntas: qual é a história que você vai contar e como você vai fazer isso.

Imagine que você tem diante de si uma infinidade de portas fechadas. Começar a ler uma história é como abrir uma dessas portas. No início, você está espiando pela frestinha aberta, procurando por algo que lhe ajude a decidir se vale a pena entrar e explorar esse espaço.

Você ouve os diálogos, observa os personagens, analisa a locação e, acima de tudo, procura entender o sentido do que está acontecendo. O objetivo de todo escritor é deixar quem abre uma de suas portas inquieto, curioso, inspirado, entusiasmado com o que virá pela frente.

Nesse primeiro momento, o jogador está tentando entender a forma como você organizou a narrativa. Ele está a procura de uma moldura que o ajude a avaliar se o tema e o tom em que a história será contada são do seu interesse. São informações essenciais: quem é o protagonista e qual o conflito central da história. A partir dessas informações, o jogador avalia se prosseguirá na leitura do restante do jogo.

Dicas Pessoais

1. Comece escrevendo sua história num editor de texto, deixe para passar para o Ren'Py só depois que terminar tudo.
2. Quando for escrever, primeiramente não se importe com os detalhes, deixe a cena crua e continue escrevendo até finalizar. Feito isso, volte e revise tudo, embeleze, adicione pensamentos e etc. Se tentar escrever pensando em cada coisinha, vai travar antes de conseguir alguma coisa.
3. Só pense nas escolhas do jogador depois que terminar sua história.
4. Tenha um bloco de notas para anotar cada ideia que você possa ter, elas aparecem quando menos se espera! Eu, por exemplo, tenho um com dezenas de cenas soltas, pensamentos e personagens que vou adicionar só mais tarde.
5. Não tenha medo de apagar ou reescrever, você vai fazer isso pelo menos 100 vezes antes de completar sua VN.
6. Modere na quantidade de palavras por caixa de texto, isso deixa o jogo menos dinâmico(exceto se usar modo NVL).
7. Cuidado com o portúgueiz e o internetês! Nada mais broxante do que começar um jogo e ler "vc" e "mais" ao invés de "mas".

The cave you fear to enter holds the treasure you seek.

Fontes:
Spoiler:
ficcao.emtopicos.com/ - RECOMENDADÍSSIMO
folhetimonline.com.br/
lemmasoft.renai.us/
aspiranteaescritor.com.br/
dicasderoteiro.com/

_________________
Tatsuhiko Takimoto escreveu:Quando leio minha história nos dias em que estou de bom humor, penso. “Incrível! Sou um gênio!”
E nos dias que estou deprimido, é sempre, “Sou uma desgraça por ter escrito algo assim! Morra agora mesmo!”
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Kurotsugu-san
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